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Roda do Ano: Uma Jornada pelo Hemisfério Sul e Norte

Roda do Ano

Uma Jornada pelo Hemisfério Sul e Norte

Desde que entrei em contato com a tradição da Bruxaria Natural, fui cativada pela sabedoria ancestral contida na Roda do Ano e em sua conexão com os ciclos pessoais e internos. Sou uma alma inquieta, sempre em busca de conexões mais profundas com o mundo interior e também com o mundo ao meu redor. Neste texto, convido você a mergulhar comigo nesta jornada mágica, explorando os ritmos sazonais que permeiam nossas vidas, tanto no Hemisfério Sul quanto no Norte. Vamos desvendar juntos os mistérios dos Esbats e dos Sabbats da Roda do Ano Wicca com seus finais e reinícios, no final indico uma variedade de livros que enriquecem nossa compreensão dessa prática mística.

A Dança da natureza: Compreendendo a Roda do Ano 

"Transporte consigo as cargas do passado até que você alcance o ponto principal da espiral, onde a morte e a vida são uma só coisa, onde o que foi consumado pode ser renovado e todas as possibilidades são apresentadas para uma nova vida ao lado daquilo que já foi. O ciclo termina e começa novamente e a Roda do Ano gira, continuamente"
(Starhawk, 1993, p. 193-194).

A Roda do Ano é um conceito fundamental na Bruxaria Natural, representando o ciclo sazonal da Terra e as mudanças que ocorrem ao longo do ano. Dividida em oito festivais, conhecidos como Sabbats, essa roda nos conecta às energias da natureza e nos guia em nossa jornada mística.

HN - No Hemisfério Norte, a Roda do Ano começa com o Sabbat de Samhain, celebrado em 31 de outubro, marcando o fim do ano e o início do novo ciclo. Seguindo-se a ele, temos Yule, Imbolc, Ostara, Beltane, Litha, Lammas e, finalmente, Mabon.

HS - Já no Hemisfério Sul, o ciclo é invertido, começando com o Sabbat de Beltane em 31 de outubro, seguido por Litha, Lammas, Mabon, Samhain, Yule, Imbolc e Ostara.

Além dos Sabbats, na prática da Bruxaria Natural também honramos os Esbats, que são as celebrações das fases lunares. A lua, com sua influência onírica e ciclos consistentes, desempenha um papel vital na bruxaria, e os Esbats são momentos para trabalhar magia interior, meditar e se conectar com o divino feminino.

Sabbats: Marcadores do Ciclo Anual

Os Sabbat's representam os oito pontos aos quais nos ligamos aos ciclos internos e externos; os interstícios onde o sazonal, o celestial, o comunal, o criativo e o pessoal se encontram. Celebramos não só as estações do ano, mas os ciclos da Lua e os aspectos do Sol. Em nossas celebrações honramos a Deusa e o Deus das Bruxas. Toda vez que encerramos um ciclo, ou encerramos um drama em nossas vidas, nos transformamos. Somos renovad@s a cada ciclo; renascemos mesmo quando decaímos, como diz o dito de que às vezes é preciso morrer para poder renascer. Assim, estabelecemos uma ligação com essas fases de mudança.  

Não estamos isolados uns dos outros, do mundo mais amplo que nos circunda, estamos unidos à Deusa e ao Deus. Toda vez que elevamos o cone de poder e um ciclo muda, despertamos o nosso poder interior e nos ligamos à Eles, à Deusa Mãe e ao Deus Pai; com isso trazemos o poder de curar, o poder de nos transformar e transformar a sociedade, o poder de renovar a Terra. 

Assim como o ano é uma volta circular ao redor do Sol, a roda da vida gira, nascimento, crescimento, morte, renascimento: a roda que gira é um Círculo, o Círculo Sagrado da Vida, a Roda de Samsara. 

Os Sabbats são os pilares da Roda do Ano, marcando os pontos chave do ciclo sazonal. Cada um desses festivais tem suas próprias tradições, mitos e significados únicos, oferecendo oportunidades para celebrar a conexão com a natureza e os ciclos da vida. Você também pode celebrar esses pontos de conexão da maneira que a sua consciência permitir e considerando os preceitos básicos da magia natural sempre com responsabilidade.

  • Samhain: também conhecido como o Ano Novo Pagão, Samhain marca o fim da colheita e o início do ano novo. É um tempo de honrar os ancestrais e os que partiram, bem como de refletir sobre a finitude e a renovação.

  • Yule: Celebrado no solstício de inverno, Yule é um festival de luz que celebra o renascimento do sol e o retorno da luz. É um momento para celebrar a esperança e a promessa de dias mais brilhantes que estão por vir.

  • Imbolc: Imbolc marca o despertar da terra do seu sono de inverno e o início do ciclo de crescimento. É um momento para celebrar a luz crescente e fazer planos para o futuro.

  • Ostara: Equivalente ao equinócio da primavera, Ostara é um festival de fertilidade e renascimento. É um momento para celebrar o equilíbrio entre luz e escuridão e honrar a energia vital que retorna à terra.

  • Beltane: Beltane é um festival de celebração da vida e da paixão. É um tempo para dançar em torno do mastro, celebrar o amor e a fertilidade, e honrar a união sagrada entre o divino masculino e feminino. É o festival do casamento sagrado.

  • Litha: No solstício de verão, celebramos Litha, um festival de luz e calor. É um momento para se conectar com a energia solar, celebrar o ápice do poder do sol e a plenitude da vida na terra.

  • Lammas: Lammas, ou Lughnasadh, marca o início da colheita e é um momento para dar graças pela abundância da terra. É um tempo de celebração e gratidão pelo fruto do trabalho árduo.

  • Mabon: Equivalente ao equinócio de outono, Mabon é um festival de equilíbrio e gratidão. É um momento para colher os frutos do trabalho do ano e se preparar para o recolhimento e reflexão do inverno que se aproxima.

Esbats: A Celebração das Fases Lunares 

A Lua no nível emocional atua como mediadora da energia solar, o fogo do Sol sem essa interferência é capaz de queimar e secar a terra. Através das sementes que se espalham pela terra, descem e penetram no chão, invadem os sonhos e faz acordar o espírito do mundo.  

Em cada mês, a lua passa por diferentes fases - da lua nova à lua cheia e de volta à lua nova. Cada fase oferece oportunidades únicas para rituais e práticas mágicas. Por exemplo, a lua cheia é um momento poderoso para a manifestação e a culminação de intenções, enquanto a lua nova é ideal para semear novas ideias e projetos. A lua minguante, serve para banimentos, limpezas e cortes.

Livros para Expandir sua Prática

Para aqueles que desejam mergulhar mais fundo na magia da Roda do Ano e na bruxaria natural, há uma variedade de recursos disponíveis. Aqui estão alguns livros que recomendo para expandir seu conhecimento:

  1. "A Roda do Ano na Bruxaria Moderna" por Scott Cunningham: Este clássico oferece uma visão abrangente da Roda do Ano além de fornecer uma orientação prática para celebrar os Sabbats e Esbats.


  2. "O Livro das Sombras" por Gerald Gardner: Considerado um dos textos fundadores da Wicca moderna, este livro oferece uma visão dos rituais e práticas da bruxaria, incluindo a celebração da Roda do Ano.


  3. "A Dança Cósmica das Feiticeiras. Guia de Rituais para celebrar a Deusa" por Starhawk: Um guia de rituais focados na Deusa, traz os princípios da religião da Deusa, guia a realização de rituais e dá dicas de como criar um Coven além de fornecer exercícios práticos. A autora traz na introdução a sua jornada espiritual e sobre como o livro foi escrito de modo a fornecer uma introdução à feitiçaria. 

Honrando os Ciclos da Vida

As estações do ano representam os ciclos da natureza, a primavera, o verão, o outono e o inverno - nascimento, crescimento, decadência e morte - a roda gira continuamente. Esse é o ciclo da vida. Ideias nascem, projetos são realizados; planos mostram-se impraticáveis e morrem. Apaixonamo-nos, sofremos perdas, encerramos relacionamentos; damos à luz, envelhecemos, morremos. Assim, nosso corpo volta à terra e nossa Essência renasce.

A roda gira sem parar, aí dizemos que o Solstício de Verão é o tempo da distribuição do Sol. O Astro Rei, Deus Sol, aquele que se entrega para que a Deusa o consuma para gerar calor e luz. Como aquilo que sobe deve cair, a fruta amadura que cai derrama a semente, o Sol torna-se o viajante, aquele que desce, aquele que conhece o lado de lá, e dessa forma, nos traz o equilíbrio na época da colheita, quando devemos ceifar a vida para nossa sobrevivência.

No início temos a escuridão, quando há um hiato no tempo, um momento breve onde o véu tênue que separa o lado de lá, daqueles que partiram antes de nós e daqueles que nos sucederão não estão na verdade separados de nós. Nesse momento tão fértil, quando o passado, o presente e o futuro se encontram, a criança do Novo Ciclo é concebida, novas possibilidades, pois tudo ainda pode ser gerado. Costumamos dizer que o Céu noturno é o ventre da Grande Deusa, pois ele contém a escuridão do Sagrado Útero que a todos contém, e em seu interior bilhões de estrelas vivas vibrão em luz, "como o espírito dos mortos nadando no caldeirão escuro do ventre, em direção ao renascimento." (Idem)

A Roda do Ano é muito mais do que uma série de festivais sazonais - é uma filosofia de vida que nos convida a honrar os ciclos da natureza e reconhecer nossa conexão com o mundo ao nosso redor. À medida que exploramos os Sabbats e Esbats, mergulhamos em uma jornada de autodescoberta e crescimento espiritual.

Que possamos continuar a celebrar os ritmos da vida, honrando a terra, os ancestrais e o divino em todas as suas formas. Que possamos encontrar beleza e significado na simplicidade de uma flor desabrochando, na força de uma tempestade e na quietude de uma noite estrelada. Que possamos viver em harmonia com a Roda do Ano, encontrando inspiração e renovação a cada ciclo que se completa.

Que a magia da Roda do Ano continue a nos guiar em nossa jornada espiritual, nos lembrando da profunda conexão que compartilhamos com toda a criação.

Amor e luz,

Blessed Be! 🌙 Sacerdotisa Ygrite 



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