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O despertar

Olha, eu não sei dizer exatamente quando percebi que era bruxa. Não teve um dia específico em que acordei, olhei no espelho e disse: "Pronto, sou uma bruxa!" Mas desde pequena, eu já sentia que tinha algo de diferente. E não era porque eu achava que era especial, mas porque as experiências que eu vivia eram, digamos... inusitadas.

Desde criancinha, tinha sonhos meio malucos (às vezes até proféticos!), via espíritos por aí, e minha insônia era campeã. Se não bastasse tudo isso, eu ainda vivia tendo crises de dor de ouvido! Chorava de madrugada, mas morria de medo de sair da cama e dar de cara com um fantasma no corredor. Às vezes, a dor era tanta que não tinha jeito, e lá iam meus pais comigo para o pronto-socorro no meio da noite.

Com o tempo, as dores foram embora, mas os fantasmas continuaram firmes e fortes. Felizmente, minhas avós entraram em cena! Minha avó Dina, super católica, me ensinou a rezar o terço (inclusive me fez rezá-lo no túmulo do meu avô – uma experiência que para uma criança parecia durar uma eternidade, rs). Já minha avó Lygia era mais prática: "Menina, medo dos vivos, não dos mortos!" Ela me ensinou a rezar para meu anjo da guarda e, ó, foi tiro e queda! Finalmente consegui dormir melhor e, por um tempo, dei um jeito de "abafar" minha mediunidade.

Mas eis que chega a adolescência, e junto com ela, o caos hormonal! Cólica monstruosa, pressão despencando, desmaios no supermercado, na escola, na rua... Parecia cena de novela dramática! O pronto-socorro virou quase minha segunda casa nessa época. Com ajuda da ginecologista e do anticoncepcional, fui conseguindo equilibrar melhor essa fase. Só que, junto com isso, minha mediunidade voltou com tudo! Espíritos, sonhos, sinais do além... parecia que eu estava vivendo um spin-off de “O Sexto Sentido”.

Foi tudo acontecendo de maneira natural. Desde sempre eu soube que a vida ia além do que nossos olhos veem e nossos ouvidos escutam. Aos poucos, meus guias foram se apresentando, e minha curiosidade pela espiritualidade só crescia. E foi assim que caí de amores pela bruxaria!

Lá pelos 13, 14 anos, minha mãe virou espírita kardecista para tentar entender o que acontecia comigo (isso porque eu fui a única da família via espíritos, além de uma prima querida, que hoje também é espírita). O espiritismo nos ajudou muito a compreender essa jornada de várias vidas, e eu devorei todos os livros possíveis do André Luiz e "Violetas na Janela". Mas foi quando conheci os livros de bruxaria, especialmente os da Márcia Frazão, que senti que tinha achado meu caminho!

A questão é que, dentro de casa, nada de velas coloridas! Minha mãe só permitia velas brancas, então as velas coloridas ficaram para quando fiz 21 anos, rs. Mas isso não me impediu de mergulhar na magia de outras formas! Comecei com feitiços na cozinha, receitinhas mágicas, diários de sonhos (meus famosos grimórios), meditações... e minha intuição só foi ficando mais afiada!

Aos 16 anos, resolvi trabalhar como vendedora de sapataria (contra a vontade dos meus pais, que queriam que eu focasse só nos estudos). Queria meu dinheiro para comprar meus livros e fazer meu primeiro curso de Wicca! Foi uma experiência incrível: conheci minha mestra, fiz minha primeira iniciação e, naquela época sem internet, encontrar uma bruxa encarnada foi tipo achar um unicórnio! Montamos um coven, celebramos os ciclos do ano juntos e vivemos momentos mágicos. Ah, e lembra da minha sorte? Achei meu primeiro caldeirão em um terreno baldio! Sim, um caldeirão de ferro antigo, pintado de verde. Se isso não é sinal do universo, eu não sei o que é!

Segui minha jornada entre estudos, faculdade, casamento, mestrado, trabalho como professora e até fui conselheira tutelar. Tudo parecia no rumo "certo" até que um dia percebi que não estava feliz. Bateu aquela necessidade louca de mudança radical. Resolvi desconstruir todas as certezas que tinha, me reinventar e, finalmente, ser quem eu realmente sou. Isso, claro depois de muito trabalho de autoconhecimento e terapia...

Foi aí que minha espiritualidade deu um salto. Me aprofundei em tarot, astrologia, radiestesia, terapias alternativas... e quando meus filhos, Cauã e Sofia, nasceram, essa conexão ficou ainda mais forte. Fiz cursos, me tornei terapeuta floral, mestre em Reiki, estudei Constelação Familiar, e hoje trabalho ajudando outras pessoas a despertarem sua própria magia!

O que eu aprendi nessa jornada? Que bruxas sempre existiram e continuam existindo. Você não precisa andar por aí com um chapéu pontudo (a menos que queira, porque né, fica estiloso!). Mas se você sente essa conexão, se percebe que faz magia todos os dias – seja através da intuição, do autocuidado, da natureza ou da força do pensamento – então seja bem-vinda ao clube!

Porque sim, você já é bruxa. Só precisa despertar essa magia dentro de você!

Blessed Be! ðŸŒ™ Sacerdotisa Ygrite

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