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Minha Jornada — Sacerdotisa Ygrite

 

Sou Bruxa: Minha Jornada — Sacerdotisa Ygrite<

Minha Jornada

Não houve um único momento em que eu tenha olhado no espelho e declarado: “Pronto, sou uma bruxa!”.
Minha descoberta foi como um fio que se desenrola aos poucos, cheio de nós, sustos e encantos.

Desde muito pequena, a vida já me mostrava que o invisível também é real. Meus sonhos eram estranhos, muitas vezes proféticos. Espíritos atravessavam os corredores da casa, e minha insônia parecia não ter fim. Para completar, eu sofria com crises de dor de ouvido que me faziam chorar noites inteiras — mas o medo de sair da cama e dar de cara com alguma aparição me mantinha imóvel. Muitas vezes, meus pais me levavam ao pronto-socorro na madrugada, mas, no fundo, o que mais me atormentava não eram as dores, e sim o que eu pressentia além delas.

Com o tempo, as dores físicas foram embora, mas os espíritos permaneceram. Foi então que minhas avós se tornaram grandes guias. Minha avó Dina, profundamente católica, me ensinou a rezar o terço, e certa vez até me fez rezá-lo no túmulo do meu avô — experiência que para uma criança parecia durar uma eternidade! Já minha avó Lygia tinha outra visão: dizia que o medo verdadeiro devia ser dos vivos, não dos mortos. Foi ela quem me ensinou a rezar para meu anjo da guarda, e isso me trouxe, pela primeira vez, noites de sono tranquilas.

Na adolescência, porém, o corpo e a alma voltaram a entrar em ebulição. Entre cólicas intensas, desmaios no meio da rua e visitas constantes ao pronto-socorro, minha mediunidade reapareceu com força total. Espíritos, sinais, sonhos reveladores — era como viver dentro de um filme espiritual. Aos 13, 14 anos, minha mãe buscou o espiritismo kardecista como forma de entender o que acontecia comigo. Eu mergulhei de cabeça, devorei livros de André Luiz e romances como Violetas na Janela, da Patrícia. Mas foi quando encontrei os escritos de Márcia Frazão sobre bruxaria que senti que, finalmente, havia reconhecido o meu verdadeiro caminho.

Ainda assim, havia limites dentro de casa: nada de velas coloridas, só as brancas. Então encontrei na cozinha, nos cadernos de sonhos e nos pequenos rituais o espaço para manifestar minha magia. Aos 16 anos, contra a vontade dos meus pais, fui trabalhar em uma sapataria para juntar dinheiro e poder pagar meu primeiro curso de Wicca. Conheci minha mestra, vivi minha primeira iniciação e encontrei um grupo de bruxas de verdade, com quem celebrei os ciclos da natureza. Até meu primeiro caldeirão surgiu de maneira mágica: um achado inesperado em um terreno baldio — de ferro, antigo, pintado de verde. Para mim, foi um presente do universo.

A vida seguiu. Vieram a faculdade, o casamento, o mestrado, o trabalho como professora e a experiência intensa de ser conselheira tutelar. Mas, em certo momento, percebi que estava vivendo apenas no automático. Bateu a necessidade de desconstruir tudo, de me reinventar e, finalmente, de assumir sem medo quem eu sempre fui. Nesse contexto saí de uma relação bem complicada e me divorciei. 

Foi nesse processo que mergulhei mais fundo no tarot, na astrologia, na radiestesia e em diversas terapias. Tornei-me terapeuta floral, mestre em Reiki, estudei Constelação Familiar, e cada passo desse caminho me aproximou ainda mais da minha essência. Com a maternidade — quando vieram meus filhos Cauã e Sofia —, essa conexão ganhou uma força ainda maior, e minha espiritualidade se transformou em missão.

Exonerei do cargo que tinha e mudei de área totalmente. Passei, inicialmente, a atender na minha casa, depois migrei para um espaço próprio onde faço minhas consultas de Tarot Terapêutico, Baralho Cigano, Florais de Bach e numerologia cabalística de modo presencial ou online. 

Com o tempo aprendi a conciliar essas minhas versões e ano passado passei a atuar como assessora administrativa na área da educação e saúde, mas permaneço com os atendimentos no meu espaço próprio com horários pré-agendados e permaneço produzindo conteúdos sobre Magia, Tarot e Arte.

Hoje, olho para trás e vejo uma jornada que mistura magia, espiritualidade, estudo e, acima de tudo, coragem. Aprendi que não é preciso um chapéu pontudo para ser bruxa (a menos que você queira, porque fica estiloso!). A bruxaria é, antes de tudo, reconhecer que existe magia no cotidiano: no cuidado, na intuição, na natureza, no pensamento que cria realidades.

Se você também sente essa chama dentro de si, saiba que não está sozinha. A magia já está aí — basta despertá-la.

🌙 Blessed Be,
Sacerdotisa Ygrite

@aboabruxa | @aboabruxa_oficial

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